Intervir em Património Classificado O Novo Equilíbrio sob o Simplex
Atualizado: 14 de mai.

Muitos acreditam que o Simplex Urbanístico veio 'facilitar tudo'. No entanto, quando entramos no domínio do Património Classificado, a agilidade legislativa encontra um desafio maior, nomeadamente no que se refere a exigências técnicas e construtivas e à responsabilidade técnica de salvaguarda do Património.
Intervir em edifícios de excepção, classificados, exige uma sensibilidade que vai muito para além da norma. A isenção de Licenciamento ou de Comunicação prévia não eliminam o rigor, antes pelo contrário, aumenta a responsabilidade do Arquitecto uma vez que transferem para o tecnico o papel de fiel depositário da história.
As 3 Exigências Críticas que deve considerar para o processo de intervenção em Património Classificado:
Como introduzir infraestruturas modernas (AVAC, redes inteligentes) em paredes de alvenaria histórica ou estruturas abaluartadas sem ferir a integridade do imóvel?
Especialmente em estruturas de grande espessura, como as abaluartadas, é um exercício de "cirurgia arquitetónica". O objetivo é tornar o edifício funcional e energeticamente eficiente, sem comprometer a sua leitura histórica ou a sua integridade estrutural.
Algumas das principais estratégias técnicas que devem ser usadas na abordagem deste desafio de Reabilitação de Património Classificado:
Utilização de Vazios Existentes e Reversibilidade - A regra de ouro na conservação é a reversibilidade. Sempre que possível, as redes devem ser instaladas de forma a possam ser removidas no futuro sem danificar a pedra ou a argamassa original; recurso a chaminés e condutas desactivadas para colocação de tubagens e/ ou cabalgens; criar áreas de piso técnico que permitam a passagem das infraestruturas sem danificar lajes históricas.
Integração em "Zonas de Sacrifício" - Nem todos os elementos têm o mesmo valor histórico, por isso é importante traçar o projecto de modo a que a intervenção seja o menos invasiva possível nos elementos a preservar, podendo recorrer a Paredes de Tabique ou Divisórias Tardias (elementos que não pertencem à estrutura original ou que foram adicionados posteriormente).
Em edificio com Estruturas Abaluartadas ou de Paredes espessas, poderá ser utilizado as zonas de molduras de portas e janelas para passagem de cabos finos, ou em zonas de junta, embutidos no reboco ou pavimento.
O BIM como Ferramenta de Salvaguarda: Quando falamos de Património, podem não existir ângulos retos. É importante que o levantamento seja rigoroso e que a modelação 3D permita antecipar conflitos de construção antes mesmo da primeira pedra ser tocada, protegendo assim o capital do investidor e reduzir o número de imprevistos em obra.
O Rigor da Memória: Reabilitar ao abrigo do novo RJUE, exige um conhecimento profundo de soluções e materiais tradicionais. Não se trata apenas de replicar um passado, mas sim de conceber um projecto de reabilitação, que seja ajustado às exigências de conforto do presente.
O projeto deve prever que a introdução de novos gradientes térmicos não altere a "respiração" natural da pedra e das argamassas de cal.
Onde a lei simplifica, a técnica deve intensificar-se. Intervir no que é único, exige a contratualização de um técnico experiente que compreenda que o maior valor de um activo histórico é a sua autenticidade, que, ao abrigo da nova legislação prevista, assume uma nova camada de responsabilidade técnica privada.
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